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domingo, 31 de março de 2013

Semeador

 Semeia, semeia, semeador,

Flores e frutos no vasto campo do amor
Semeia, semeia , semeador
O amor, a alegria, e vai cuidando, vai cuidando!
Das flores e dos frutos, que já estão brotando.

Semeia, semeador, semeia
Junto à árvore da justiça, enquanto o dia clareia
Semeia, semeia, semeador
Junto ao botão que floresce, enquanto frutifica a flor,
Vivificados como o trigo, na plantação do seu senhor.

Semeia, semeia semeador 
Belo como a vide em florescência,
Como o lírio em seu esplendor
Que embelezam a natureza,
Exultando o amor,
Tão nobre, tão divino,
De Deus Pai nosso Senhor!



Di Vieira

Meu encanto



Sua alma, meu encanto,
E esse brilho nos olhos castanhos,
Reflexo no espelho,
Luzes no salão,
Seus olhos no meu, 
Sem acordos pra aceitação!
E as cores berrantes,
Berram por instantes e no beijo se calam.
A calejada mão,
A madeira bruta, o esconde, esconde,
Os ombros deliciosamente cansados,
São meus! 
Sem CPF, sem identificação.
Quero você!
Quero ser abraçado no mínimo, três vezes ao dia
Necessito de você presente,
 Preciso de sua compania falada,
Dessa pessoa estabanada, sorridente, querida
Necessito de você vida! 
Bem aqui do meu lado, 
Bem aqui por perto,
Necessito de você, meu Oasis, 
Aqui, nesse meu deserto!

Di Vieira

O morto!





Na rua estreita e tranquila,
Onde os salgueiros e seus ramos,
Desenham rendas no chão!
Com eles colaborando, o sol de outono, 
E as estranhas manhãs ensolaradas.
Do nada, um solitário caminha,
Vai até o boteco da esquina e pede um café.
Toma devagar, pensa na noite mal dormida,
Pensa na vida, a cabeça a mil.
Homem que caminhou pelos caminhos do mundo,
Teve mais que por um segundo, sucesso, dinheiro!
Viveu o tempo inteiro sem tempo pra nada!
Meu camarada, mais um café! Pede em voz rouca.
Só café? 
Pergunta o garçom.
Sim, só café! 
E pensou: A grana é pouca!
Tomou o café com a mente em silencio,
Não queria pensar agora !
Não queria se importar com o que acontecia lá fora!
Perdera o respeito dos outros e o seu próprio!
Na vida quebrou barreiras com sua capacidade de convencer,
Percorreu de alto a baixo o tapete vermelho, mas tudo deu em nada!
Traição, portas fechadas, trapalhadas, 
Enfim! Deu com os burros n'água.
Não tinha coragem para enfrentar as próximas horas,
Os próximos segundos, os próximos anos!
Queria arrumar uma vítima para o sacrifício, e se safar,
Mas não ia colar, e triste seria mais esse fato! Não ia convencer.
Eram dez horas da manhã de domingo!
Manhã de outono, sol moderado,
Um silêncio triste no bar Sinuoso, da curva do rio,
Rua estreita e tão tranquila, que até parece brincadeira!
O solitário descansa a cabeça sobre a mesa de madeira.
Parece agora tão frágil, tão pequeno, tão defunto.
Tão imóvel, os pés juntos, tão frios, tão mortos
Tão covardes, tão tolos!


Di Vieira

Bata na porta






Bata antes de entrar!
Espere ser convidado!
Não estou aberto ou disponível sempre!
Não mais! Nunca mais!
Não vale à pena!
Dê-me um tempo!
Deixe eu pensar se quero;
Ver, ouvir,comer, discutir...
Por isso, bata antes de entrar,
E espere resposta!
Não mais me importo se gostas ou não!
Deve ser o cansaço que sinto!
Cansaço de tudo!
Uma vontade enorme de me dar valor!
Pense o pior, pense o melhor,
Não me importa!
O que há em mim, só eu sei!
E sei que não quero mais abusos,
Invasões de limites, censuras, inquisições!
Deboche de alguém,
Que pode ser tão mal, quando tenta impor o bem!
Até me enjoa, e vomito!
Vomito o bem, que achas que é só teu,
O mal que talvez seja só meu, mas só a mim importa!
Então por favor, bata na porta, mesmo ela estando aberta.
Cansei dessa enorme intimidade,
Cansei dessas tuas bobas verdades!
Quando vieres, bata na porta
Chega dessa amizade,
Agora é tarde, bata na porta!
Porque a tola da Inês, já é morta!

Di Vieira

quinta-feira, 28 de março de 2013

Cálice!





 Um lampejo, um desejo,
Uma saudade de mim,
Uma coragem, várias bobagens,
Um amor que chega ao fim!

Serelepe pelos campos,
Lebre indefesa, inocente,
Sobre campina de flores,
Sob os presságios de horrores!

Caminha em dores, sem imaginação!
Na arena da inimizade que surge,
Entre o nostálgico canto da espera,
Na esquina da alegria que já era!

Choramingam entre plumas e penas,
Os pavões coloridos majestosos,
Ante o riso delirante das hienas
E a marra dos leões escandalosos!

Um fulgor, uma lástima, uma figura,
Criaturas em frente ao criador,
Expõem a falta, a secura,
Da bondade, da ternura, do amor!


Di Vieira


quarta-feira, 27 de março de 2013

No alpendre




Eis no alpendre a luz!
A escuridão se desfaz
Sombras o seguem!
Cinza, pó, exorbitância!
Não há sombra sem luz!
Nos grãos de areia, desesperança!
Conexões, imitações, aparências falsas,
Infiéis, sem identidade,
Maldade!
E eis no alpendre
As sandálias da humildade!
Sem meias verdades.
No grande livro, conhecimento,
No grande relógio o momento,
Pontual!
Ele é o bem que vence o mal!
Eis no alpendre!
A luz resplandecente!
E os seres perplexos,
Diante da maldade, dos mesquinhos,
Que roubam migalhas de pobres passarinhos!
Há caminhos sem fardo,
Mas não há caminho sem cruz!
Eis agora no alpendre,
Meigo, suave, a fonte de luz!
Eis no alpendre, ressuscitado,
O esperado, meu desejado
Jesus! 


Di Vieira

segunda-feira, 25 de março de 2013

Bela Ana



 Bela Ana, carente!
Sonha e mente, num sonho só seu.
Desfiando as ilusões no embaraçado fio da vida.
Retirando pedaços de rochas caídas,
Trilhando descalças as estradas,
 Às vezes sem saída

Cruzando a saga das flores,
Alem das linhas retas do conformismo,
Alem dos abismos que devoram sonhos,
Alem das estrelas e seus brilhos ofuscantes,
Alem dos muros e seus quintais.
Alem dos olhos e as impressões digitais.

Alem, muito alem!
Ana olhando as flores
Deslizando entre amores e afeições,
Rompendo barreiras, invadindo corações.
Ana caminha,
Sozinha no refúgio dos sonhos,
Por estradas conquistadas, cumpridas
Ana só, já quase sem vida!

Di vieira

Nada melhor



 Nada melhor que você!
Feita de prazer, de carinho,
Um sonho!
Sonho com você!
De seda vermelha, de riso claro,
Estampada em flores, exibicionista!
Artista!
Linhas contornadas por sábias mãos,
Passos desenhados com lentidão.
E direi ao mundo,
Nada é melhor que ela!
Absoluta, irreverente,
Luxuosa, minimalista!
Uma conquista, uma intenção.
Meu romantismo discreto,
Minha proposta, meu decreto,
Selado, cravado em minha mente,
No jeito urbano, discreto, 
De antigamente.

Di Vieira

Tudo à moda antiga






 Tudo à moda antiga!
Suas promessas, sua embalagem,
Seu perfume, meu olfato.
Seu jeito perturbador de me envolver,
O buquê de flores pela manhã.
A cena apaixonante!
Mas chega o instante em que me pergunto:
Vale à pena?
Flores no começo,
Minha vida do avesso o tempo inteiro,
Cueca pendurada no chuveiro,
Toalha molhada no chão.
Tudo de novo, mesma paisagem,
Tudo à moda antiga, o mesmo clichê!
Até que os peixes ornamentais
Façam moradas habituais,
No meu inexplorado bidê.

Di Vieira

domingo, 24 de março de 2013

Chuvas e amores passam!



 Antes de partir,
Tome café comigo, espere um pouco,
As chuvas inundam as estradas,
Os bueiros entupidos vomitam dejetos
Nenhum lugar agora é mais seguro que essa sala.
Fala!
Diga alguma coisa!
Em um dia ou dois, será tarde demais!
Estaria um novo amor a tua espera?
Pra onde você vai? 
Em que braços vai dormir?
Quando foi que deixou de me amar?
Quando? 
Já que nem percebi?
Tantas perguntas tontas!
Eu sei talvez não tenha respostas prontas.
Perdoe-me por perguntar!
Mas fomos tão felizes juntos, e por tanto tempo!
E agora esse pesado silêncio põe fim a tudo.
Ainda te amo! Ainda te quero!
Mas amor não se prende, 
Não se põe correntes, deixa-se livre, solto.
Você, faça como quiser!
Quer partir?
Por mim tudo bem! 
A chuva faz tempo que passou!
Passou de repente!
Passou rápido assim!
 Como aquele grande amor, 
Que dizias sentir por mim!

Di Vieira



Depois de certa idade


Depois de certa idade,
Fica mais difícil ter zanga por coisa pouca.
Guardar rancores por muito tempo,
Porque quem sabe quanto tempo ainda?

Depois de certa idade,
O tudo que pensamos saber não tem valia,
Porque todo dia se descobre, muita coisa pra aprender!

Depois de certa idade,
Percebe-se antes de ser percebido,
Ouve-se, mesmo que falem escondido,
Porque dessa vida o perigo ,
Não é quem faz, mas quem insinua, ou manda fazer.

Descobri, depois de certa idade,
Que viver sob pressão desumaniza
Que viver soltando farpas entristece
Que viver sem amor adoece, seca a alma

Bom mesmo é cheiro de flor, barulho de chuva,
Carinho sem motivo, cafuné de gente que se quer bem.
E depois de certa idade, descobrir que foi feliz,
Entregou-se, apaixonou-se, sofreu, amadureceu!

Depois de certa idade
Conta o que sabe, sem ser convencido,
Compreende tudo, apenas por ter vivido!
E se não viveu tudo, viveu o bastante.
E aprendeu assim, a ser um pouco mais tolerante!



Di Vieira

sábado, 23 de março de 2013

A francesa




Pele alva, boca vermelha,
Cabelos pretos, escassos;
Uma francesinha à procura,
De uma cadeira vazia, um canto discreto,
Onde lembranças serão bem vidas,
Onde lágrimas discretas, se ajustarão com um tempo,
Onde as lembranças de um terraço,
Com ares orientais, deixaram marcas.
Permitiu-se tatuar a ferro e fogo,
A luz de velas,
Ao som suave.
Arrepiaram-se os pelos na pele clara,
Abraçou os braços , sentiu frio e pena.
Pena do passado.
Sentia-se hoje tão pequena!
Teve o mundo em suas mãos.
Permitiu escapar por entre os dedos.
Estava tudo ali, diante dos olhos negros,
Encantados com o borbulhar da bebida,
E o brilho das taças de cristal.
A paixão, a falsa indiferença.
As marés, as estações,
A mesa no canto da sala,
O choro agora é autêntico,
O anel de brilhante...
Não!


Di Vieira



quinta-feira, 21 de março de 2013

O tempo



 O tempo
Viajando no corpo, na sensibilidade.
Navegando nos rios verdes dos seus olhos
Vibrando na sua alegria, no seu calor ,
Na chama acesa antes da chuva!
Vem o tempo, cavalgando no próprio tempo,
Viajando nessa história particular!
Que é quase um mito ordinário!
E nesse cenário, você e eu,
E o tempo fechando!
Os pingos de chuva pingando.
Você e eu!
O lado bom da vida!
As rosas caídas, n'uma mistura de tudo!
Nessa paleta de cores, os grandes amores.
Pintam nas tardes amarelas
É o começo do outono.
Nas noites mais frias você me aquece,
Nas boas lembranças,
Com a sua companhia,
E as luzes na janela, por detrás das cortinas,
Nosso encantamento, o momento!
E lá fora contando os minutos, 
O tempo!

Di Vieira

O universo






Na satisfação dos olhos
O prazer das coisas.
No toque das mãos
O encontro.
O universo ao avesso,
O preço alto por excessos.
Na condição de apreciador me descubro.
Eu só, num mundo só seu!
Espantosamente encontro o tempo que perdi.
Atrevida, lança fora minhas dúvidas, inseguranças.
Sou aprendiz, menino em seus braços,
Você, minha inspiração em forma colorida,
Vida, Cristal em forma de flor
Menina dos meus olhos, minha utopia.
Meu recato, minha ousadia, 
Meu amor!


Di Vieira

quarta-feira, 20 de março de 2013

O MEU AMADO




Bateu no umbral da porta de levinho,
O suave perfume, o fulgor,
Encheram o quarto e eu abri os olhos,
Pela calma que invadiu minh'alma,
Eu já sabia! Era o meu grande amor!
Disse-me que viria!
Prometeu-me, nunca falhou!
Olhou carinhosamente em meus olhos e com meiguice falou:
Vamos pra casa?
Boba, eu ainda relutei,
Meu filho doente, minha gente, eles precisam de mim...
Docemente interrompeu-me,
Não se preocupe, não fale assim!
Eu cuido deles, eu sempre cuidei!
Lembra do que eu disse: "Nunca, nunca te deixarei!"
Seu lugar já está preparado!
O céu esteve nublado, a terra ainda não se saciou ,
Mas pra você, o viver, bem e mal, já acabou!
Eu estou aqui, no fim da sua jornada!
Dá-me a mão, feche os olhos minha amada,
Vou te conduzir pelas alamedas do jardim.
Levar-te aos aposentos, te vestir para o banquete!
Dá-me a mão minha querida! Vamos!
Por ti tenho grande apreço
Dá-me a mão amada minha!
Esse aqui, não é o final, é o começo!



Em memória
de Elza Vieira, amada mãe.

Di Vieira

terça-feira, 19 de março de 2013

QUERO DORMIR!





Quero dormir!
Acordar feliz por ter te encontrado!
No sonho!
Sonho perfeito de luzes e cores!
Perfeito!
Esse é o meu jeito de te ver agora!
Lá fora o mundo ensaia, faz plano!
Eu adormeço!
Esqueço-me de dores presentes,
De amores ausentes,
De lágrimas tardias.
Todavia acordo!
Em silêncio me cubro e descubro a poesia!
Na periferia cai à tarde,
Arde em mim à saudade,
Quero dormir!

Di Vieira

A LOUCA!





Ah a louca!
Pendura no varal o tênis, e esquece
Sol, chuva, vento, lua.
Sai pra rua, e esquece!
A ponta entorta,
Desbota o desenho,
Abre a boca de jacaré,
Deus dá-me fé!
A louca não se importa.

Abre a porta,
Mata o tempo na lanchonete.
Mascando chiclete diz que a vida é boa!
Gasta o tempo à toa,
Todo o tempo!
Praia, a água salgada no colo moreno,
O dia parece pequeno.
O mundo é todo seu!

Sol, água de coco,
Sandália arrastando no calçadão,
É tudo festa!
Feliz, sem compromisso,
Esquece o calçado no varal!
Não faz mal, é só um tênis!
A vida é tão curta!
Curta que o tempo passa
E a massa dos sisudos veste touca,
Louca!
Pobre menina louca!

Di Vieira

segunda-feira, 11 de março de 2013

PRECISO!




Há tantas coisas que não sei!
De tantas nem preciso!
De juízo para amar,
De conceito pra sonhar.
De nome pra ser feliz!

Necessito de sonhos!
Sonhos bons, grandes e pequenos,
Sonhos amenos, suaves!
Sonhos cor de rosa,
Sonhos azuis com argolas douradas.

Careço de um arco íris de cores!
De sete tipos de amores,
Das sete notas musicais,
Onde o fascinante milagre da vida,
Torna os sonhos reais!

Preciso de você, que não me vê,
E que não vejo.
Preciso de um desejo bom,
De desenhar na ternura dos sonhos, 
A beleza da verdade.
Preciso sonhar com ondas delicadas 
Embriagadas, de felicidade!

Di Vieira