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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O anel



Curvou os joelhos em terra,
Após passos indecisos.
Tivera uma vida atormentada!
Tinha a alma angustiada!
Estava à beira do abismo!
Ecos, gritos adormecidos explodiam!
Soluços abafados brotavam na garganta.
Queria ter tido vida santa, 
Vestes sem mácula.
Queria ter ficado em casa junto aos pais.
Mas o passarinho criou asas,
Rasgou o céu na negrura da noite,
Penetrou por própria vontade,
Na gaiola do mal.
Vendaval, chuva forte,
Corte nos pés, dor na alma,
Seiva da vida indo embora!
E agora?
Afundado nas cinzas, encobre o rosto,
Rasga as vestes, esmurra o peito,
E apesar de não ter direito,
Pede misericórdia, piedade,
E obteve!
Sem vaidade, sem arrogância.
De joelhos no chão batido,
Envergonhado, arrependido.
Sente a mão suave, erguer-lhe a carcaça,
Ajudar-lhe nos primeiros passos,
Dar-lhe segurança e um novo começo!
As conexões inseguras ficaram no passado!
Na volta, perdão,
E um futuro limpo de fato!
Sem condenações, sem reprovações.
O anel no dedo,
É um elo desse amor imenso!
Amor ofertado,
Amor sagrado!
É luz, que ilumina escuridões, 
Apaga cicatrizes.
Perdoa pecados,
Alegra almas,
 Sara corações!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Criança tem mola,



Criança tem mola,
Joga bola, pula-pula
Com bambolê na cintura,
Não descansa!

Criança tem mola!
Criança rebola,
Joga na folia do pique cola,
Com papelão escorrega a ladeira,
Criança com saúde não tem preguiça,
Criança com saúde, quer brincadeira!

Criança tem mola!
Pula carniça, passa anel,
Na amarelinha, põe caquinho no céu.
Cata pedrinha, figurinha no bafo,
Criança tem mola, não tem preguiça,
Não tem cansaço!

Bota na berlinda, pera ou maçã,
Criança tem mola,
Dança, sonha, pula e rola,
No café da manhã,
Ou na escola,
Criança tem mola!

Criança rebola, saracoteia,
É combustível bom, 
Correndo na veia
É alegria que encanta, incendeia!

Criança, joga bola,
Criança, rebola,
Criança, é mola.
Criança? 
Não anda, salta!
Criança, manda!
Criança?
Faz falta!



Di Vieira

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pés de lata, asas de algodão.



Todos pensavam: 
Pequena tolinha
Coitada, coitadinha,
Sem palavra, sem ação.
Todos! Exceto eu!
Eu não!

Tinha um jeitinho tão doce,
Como um pedido de proteção,
Parecia só dizer sim,
E nem saber dizer não!
Todos pensavam assim, exceto eu!
Eu não!

Descobri assim de repente,
Um olhar bem diferente
Do que costumava ser,
Uma olhada camuflada,
Como quem não quer nada,
Teimava em aparecer!

Seu anseio contrariava?
Emperrava teimosamente,
Sem dó, 
Obstinadamente!
Anjinho com pés de lata,
Asinhas de algodão,
Todos lhe viam quase inútil,
Menos eu, eu não!


Di Vieira