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terça-feira, 31 de julho de 2012

CAÇA OU CAÇADOR?



Esqueceu se era caça ou caçador.
Caminhou lentamente como que contando os passos,
Em direção à porta entreaberta.
Sentiu um suave perfume de rosas no ar.
E o coração disparou loucamente,
Como se fosse naquele peito jovem,
Que se deslumbrava por cada belo sorriso!
Tanto tempo não se sentia assim, fascinado,
Apaixonado feito um tolo!
E essa explosão de sentimentos que já nem se lembrava mais,
O fez voltar num tempo nem tão distante assim!
O silencio gritava em seu pensamento: É o teu fim!
Tentou fazê-lo emudecer não conseguiu,
Calou-se então e atenção não mais lhe deu!
Junto à parede o retrato pintado à mão, parecia ter vida!
Extasiado murmurou baixinho, quase num sussurro: É ela!
O sorriso sereno, o rosto luminoso,
Uma doce malícia nos olhos castanhos,
Que olhava como se dissesse:
Quem conquista, é o conquistado
 Ou o conquistador?


Di Vieira

A MESMA MESMICE!




Que trabalho que dá ser a mesma,
A mesma sem voz, sem valia
Sempre na mesma rotina do dia a dia
Cada vez mais a mesma,
E na mesma mesmice de sempre
Pedindo chuvas ao céu,
Mudando os móveis de lugar,
Ensaboando, enxaguando, esperando o sol secar.
Estava cansada disso!
Já nem sabia ser ela mesma!
Seria isso um sinal de maluquice?
Ou seria  a mesmice que lhe atordoava?
Tinha que voltar ao ponto,  ao começo.
Ser a mesma, na mesma mesmice Inalterada
Sem voz sem valia, do tanque para a pia,
Da cama ao fogão, numa ciranda lunática.
Mas que trabalho que dá!
Que trabalho que dá ser a mesma!


Di Vieira


quarta-feira, 25 de julho de 2012

LÁGRIMAS EM SILÊNCIO.




Passou como vento que derruba muralhas,
Levou minha calma e o meu dia escureceu prematuramente
Negras eram as nuvens que vieram me assombrar
Quando ainda nem chovia.
A sala vazia, o grito na garganta, a lágrima no rosto,
O coração acelerado como quem tem pressa,
Não me deixes! Sou teu! Sou todo teu!
Aturdido, descompassado como a música intuitiva que tento escrever,
Penso ser o fim o que pode ser começo,
Penso sim! Será que te quero a qualquer preço?
Debaixo do chuveiro lágrimas em silêncio dizem não,
E o coração se acalma, o soluço quase emudece,
Tudo segue em frente, é tudo como deve ser!
Algo no fundo me diz, que um dia vou te esquecer !
Me apego como náufrago a essa possibilidade.
Que venha a saudade, que me machuquem as lembranças
O que sei é que a esperança no futuro, vai sarar a dor presente,
E te digo que não importa se tudo acontecer bem devagar!
Na verdade baby, não importa!

Di Vieira