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terça-feira, 28 de maio de 2013

#O vestido estampado


O vestido estampado de Luíza,
Ainda me lembro!
Caia-lhe aos ombros de propósito.
Moldava-lhe o corpo como pele nova,
Mostrava-lhe os encantos quase sem pudor.
Luiza meu amor faceiro!
Quase fui o primeiro, quase fui o único!
Mas você, é brisa do amanhecer.
Desaparece quando a gente se acostuma.
Liquefaz-se em meio aos primeiros raios de sol.
Atrai-nos rumo ao desconhecido,
Nos abandona sem consentimento, e nada mais faz sentido.
Luiza!
Bruma leve em meu ar adolescente.
Tocou-me a pele docemente,
Com todo carinho, com tanta candura!
Ela toda pura, pura paixão virginal!
Um doce beijo no início,
Um amargo adeus no beijo final!
Do vestido estampado, inda me lembro,
Foi em dezembro, festas e cores,
Eu, em meio aos seus admiradores,
Querendo seu olhar, sua atenção.
Você sorriu, me deu a mão!
Noite de lua, calor de verão,
Bateu saudade de você Luiza,
Minha suave lembrança,
Minha doce inspiração!


Di Vieira

#Sem nenhum #motivo #aparente!




Nada pedia!
Nada além de alguns minutos,
Queria sentar, conversar,
Falar dos seus sonhos,
Ter uns segundos de prosa.
Mas ninguém lhe ouvia!
Mochila nas costas,
Saiu ver a vida,
Nenhum mortal se interessou
Ninguém que lhe ame, por perto.
Seus altos e baixos, sua vida,
Os calos na estrada, os becos sem saída
Não via seus tropeços como burrada,
Não usava como escada seu recado certo,
A vida lhe ensinou a não andar de peito aberto
Pagou um grande preço como sonhador.
Resistiu, escapou quase sem estrago.
Na escória, nos destroços, narrou sua história.
Nunca teve o seu quinhão, seu momento de glória
Mas para o amigo, mais amigo que se pode ter,
Mandou recado de respeito e consideração,
Pela energia no momento de suplício e dor,
Em que o mundo desumano, foi seu professor.
Só queria viver, viver sem pedir nada,
Queria colher estrela, mas era só pipa voada!
Um louco, um peregrino, uma ovelha desgarrada.
Um estranho nesse ninho, fragmentado socialmente,
Onde por qualquer tostão, gente mata gente!
Um invisível sonhador dormindo na calçada,
Foi morto a paulada, nessa madrugada
Na mochila seu nome, sem antecedente,
Sem sonhos, morte sem causa,
Sem nenhum motivo aparente !


Di Vieira



# É preciso cantar



Hoje canta o riso,
E é preciso cantar!
Cantar mais que tudo!
Cantar enquanto ainda há guerreiros.
Canta, e encanta, meu povo afro-brasileiro!
Inteligente, habilidoso, artilheiro.
Joga e canta, levanta e encanta, 
Canta meu povo brasileiro!
Canta a beleza negra, parda,
Canta a educação, o fazer sua estrada,
Canta quem embalou no colo a criança.
Canta na fadiga de janeiro, a janeiro,
Canta meu povo brasileiro!
Canta pela igualdade na mídia padrão.
Canta a liberdade e o amor companheiro!
Canta a esperança, povo brasileiro!
Canta mulher  jovem, o leite forte,
Canta o canto da morte, das agruras em alto mar
Canta o tormento cravado no coração saudoso,
Que no porão lutuoso carecia cantar!
Canta com palmas, com danças,
Canta crianças de além mar.
Honra, fé e esperança, 
Pois mais que tudo, é preciso cantar!
É preciso cantar a coragem, 
Subir a serra, sair da barriga com gente forte, 
O ensino, a instrução,
Liberta seu povo da morte.
A ousadia é coisa de gente brilhante, 
Dos reis da fascinação,
A alegria é cantar, mesmo distante, 
Distante povo de além mar.
Enquanto houver fôlego pra cantar, cante!
Cante um blues, um samba canção,
Um Hip-Hop, um sertanejo, cante o que quiser!
Mostre sua voz para protestar,
Só não pode, é deixar de cantar!
Cantar o amor, a tristeza, cantar pra ninar,
Cantar o que quiser, cantar o tempo inteiro!
Nunca deixe de cantar, 
Meu lindo povo, afro-brasileiro!
Mais que tudo é preciso cantar!
Mais que tudo, soltar sua voz!
Pelos direitos, é preciso cantar
Contra o preconceito, 
É preciso cantar!
Hoje mais que nunca, 
É preciso cantar!

Di Vieira






sábado, 25 de maio de 2013

#Gosto de você




Alguma coisa em você me prende.
Talvez esse jeito de passar as mãos pelo cabelo,
Ou o jeito livre de dizer o que pensa.´
Nisso ás vezes pode ouvir o que não quer, mas...
Ações causam reações que nem sempre nos satisfaz.
Gosto de você demais!
Gosto do seu jeito!
Gosto da quietude deitado ao seu lado em nosso leito.
Gosto do gosto doce que sorvo em sua boca.
Gosto do gosto amargo de saber-te tão livre.
Gosto desse teu jeito de acreditar nos sonhos.
De te ver correr pelas alamedas do parque, feito adolescente.
Do seu jeito de gostar de gente.
Gosto do seu jeito de olhar o mundo.
Do seu riso transbordante de alegria.
Do cheiro de tinta fresca dos seus poucos anos.
Desse jeito de me olhar, que me faz acreditar em fantasia.
Gosto de você!
Gosto do seu barulho, do seu silêncio,
Gosto de quando se cala,
Ouvindo o estalar da madeira na lareira da sala.
Gosto do mundo que você me apresenta.
De como se levanta, de como se senta.
Impossível é gostar de mim sem você,
Simplesmente porque, gostar de você,
É o que me dá prazer!


Di Vieira


sexta-feira, 24 de maio de 2013

#Não me toques!



Não me deixem!
Não durante o dia!
Não me deixem sem sol, sem ar!
Mas não me toquem durante a noite!
Não me joguem na madrugada,
Na mão pesada de um bandido sedutor!
Não me falem mais de amor!
Não cochichem aos meus ouvidos seus medos!
Não implantem em mim, suas dores,
Não me sufoquem em segredo,
Não façam dormir em meus braços, os seus amores!
Por favor, não me encoste!
Não me suborne!
Não me afundem no abismo dos temores!
Não me congelem na tempestade do cinismo,
Não me arrastem no pessimismo dos dissabores!
E se quiseres me matar de amor,
Não me poupes!
Se quiseres procurar o passado,
 Não me esqueça!
Se for renovar o calor,
Não me deixes!
Se não houver mais amor,
Por favor, não me iludas!


Di Vieira




quinta-feira, 23 de maio de 2013

# Fatalidade




Fatalidade,
É o encontrar dos olhos,
É o olhar que chama, e no outro se detém,
Admirando, como se no mundo não houvesse mais ninguém.

Fatalidade,
É o olho que abraça,
Namora, cativa, corteja, cobiça,
Inebriando levemente, delicadamente, atiça,

Fatalidade,
É o amor nascendo como o dia
Clareando aos poucos, bem devagar!
Brotando feito a água fresca, que alegremente se joga no mar

Fatalidade,
É supor a folha, ter pra sempre o vento,
E se jogar no ar, no outono da sua história.
Mas o tempo sabe o movimento, e narra toda a sua trajetória,

Fatalidade,
É ver um açude ressecado, ver um amor se acabar,
É olhar em seus olhos,
E não mais achar o seu olhar!

Di Vieira


domingo, 19 de maio de 2013

#Voando perto das #estrelas





Minha terra, meu chão!
Aqui não se vê as luzes da cidade.
Na verdade não temos nem eletricidade,
Mas quando anoitece e a gente olha para o céu,
Tá lá, uma lindeza de painel de presente!
Gente que formosura!
Lua e céu cheio de estrela!
Parece purpurina num veludo azul bem escuro!
Viver aqui é seguro, casas sem muro, torrão sem fronteira
Do céu ao chão, vale as regras da criação, o jeito de educar!
Às vezes nasce gente que não se cria, mas a gente se conforma.
E na fantasia é anjo de passagem, um caso pra se pensar
E eu na rede olhando esse céu lindinho,
Campeio a trajetória da estrela que sabe voar,
E sem acanhamento voo ao lado dela,
Daqui da minha janela, sonhando , de papo pro ar!

Di Vieira
  

sábado, 18 de maio de 2013

#A metamorfose da borboleta




A casa,as fotos no corredor.
As cartas na caixa colorida.
Uma vida e o passado indo embora,
 Nas asas da borboleta, na carruagem dos sonhos,
Nas páginas dobradas pela pressa do tempo que voou.

Fez o que pode!
Preservou a identidade a todo custo,
A memória aos trancos e barrancos,
Manteve a sensibilidade a toda prova,
E os olhos, extremamente francos.

Inda era nova!
Mas os velhos sonhos sucumbiram na estrada.
Pedira que esperassem, mas tinham pressa.
Pressa de tudo, pressa de nada.

Viu os espaços e muitas leis violadas,
Enquanto procurava no céu, nuvens coloridas,
Enquanto conferia contornos e formas especiais,
As insignificantes mutações da vida.

Decifrou o caminho do sol em leste oeste,
Adaptou-se a incerteza do amanhã,
Viveu acreditando em anjos protetores,
De meninos, em carrinhos de rolimã.

Cerrou a janela dos sonhos,
Pisou o chão, mirou o caminho, refreou as asas!
Quanto à lucidez que nunca a deixou no desamparo,
Jamais teve por ela, muita estimação.

Quantas vezes desejara falar aos berros 

Ao invés da habitual quietude,
N'uma atitude de vida, totalmente pacifista.
Mas perdera a mão!
E os bárbaros narcisistas, com controle e possessão, 
Prenderam-lhe as asas em repressão!
O vento forte, bateu no peito em reprovação,
Aos corações fingidos, 
Que guardam nas teias dos mesquinhos espaços,
Os pecados arquivados como casos perdidos.
Enquanto florescem os discursos, e a falação, 
Sobre suas grandes obras, 
Nobres, e divinamente guardadas,
Em potes dourados de extrema compaixão!





Di Vieira

sexta-feira, 17 de maio de 2013

#Apego ou desapego?





Que mundo é esse meu Deus,
Que eu não me enquadro!
Que quadro é esse, que eu não me incluo.
Que amor é esse. Feito de lata?
Que dor é essa, que aos poucos me mata?

Que ferrugem é essa, que vem brotando?
Que saliva amarga do amargo desgosto?
Que ruga é essa invadindo meu rosto?
Que me põe mole, querendo chorar.
Que tristeza é essa, deitada em meu olhar?

Que festa é essa, feita de choro e luto?
Que grito é esse que nem mesmo eu escuto?
Que pressão é essa, que festa, que grito,
Que ferrugem que mata, que amor de matar,
Que foto, que ruga, que choro no olhar,

Que mundo é esse, que saliva é essa,
Que buchicho, que cochicho, que cilada,
Que peste, que teste, que maçada!
Que mundo, que quadro, que aporrinhação,
Que irritamento, que nesse momento, não tem solução!

Di Vieira


terça-feira, 14 de maio de 2013

# Limitação




O silencio era quase total no elevador.
Exceto pelo barulho das ferragens antigas.
Sete andares, sete dias por semana.
Vencíamos quietos o longo corredor,
E parávamos em frente às portas.
Um dia, virou-se a bela vizinha, e me sorriu.
Sonhe comigo! Falou!
Deixou seu olhar passear pelo meu rosto,
Como se desenhasse cada traço.
Queria abraça-la!
Ela parecia querer meu abraço!
Mas curvei a cabeça, desviei o olhar.
Desejei abrir a porta e entrar acelerado,
Confundi as chaves todo atrapalhado,
E ela sorriu com segurança,
Percebendo o fascínio que tinha sobre mim!
Disse:"Mudarei amanhã,  sentirei saudades!
Sorriu mais uma vez e entrou,
Deixando-me às voltas com chaves e pensamentos,
No acanhamento atroz dos perdedores,
Bem longe do entusiasmo da paixão,
Vizinho do precipício dos amores,
Achegado ao silencio e a solidão!

Di Vieira

segunda-feira, 13 de maio de 2013

#Ventos #Lobos e #Vampiros


Agradeci!
O dia raiava de novo!
Sussurrei baixinho uma canção,
E fiquei surpresa por ainda lembrar de cada estrofe,
Lembrei-me da pobreza, e da alegria de estarmos juntos,
Dos assuntos leves, das brigas breves,
Dos vizinhos e amigos,
Dos perigos, dos medos,
Dos segredos de moça, coisa boba!

Tomei uma xícara de café na cozinha,
Procurei as notícias populares no jornal,
Assim como quem anda pela cidade vendo as vitrines.
Apesar da vida louca, e das notícias espetaculosas,
Precisava saber, me manter informada.
Eu ainda fazia parte desse deus-nos-acuda!
Sabia que não dão ibope às coisas boas da alma.
Nessa vida sem nenhuma calma,
Assassinatos, estupros, sexo selvagem, prostituição,
Chamam muito mais a atenção!

Resolvi, que apesar de tudo não pretendia mudar!
Pensei nisso e decidi que não seria manipulada,
Que prefiro as histórias das princesas encantadas
Do que os contos assombrosos e sanguinolentos,
Prefiro ventos e lobos que destroem casinhas de porcos,
Do que vampiros invasores, semimortos destruidores.
As colunas que falam de ações bonitas,
São minúsculas, sucintas.
Daí pensei:
Não faz mal! Ao menos ainda existem!

Agradeci pela insistência dos que ainda acreditam.
Pela família, 
Primeira escola da vida,
Pela canção aprendida ainda no colo.
"Ainda que os montes se abalem, eu creio em Ti,"
"Ainda que males me cerquem, eu creio em Ti!"
A Tua palavra guardei, confiei, espalhei o que aprendi,
E como pétalas perfumadas, como óleo precioso,
O amor que se cultiva no tocar das mãos.
Quando o dia renasce, e tudo vai mal,
Um toque sobrenatural, um agradecimento,
Um momento dedicado à oração,
E podem até surgir lobos, ventos que destroem,
Que me lembrarei das estrofes do louvor,
Das palavras da antiga canção,
Que nada é maior que o amor,
Que nasce na alma, 
Que transforma o coração!


Di vieira


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Abandono




No abandono, pele e osso,
Sobre a terra o corpo pequeno
Desejou proteção,
A mão, o afago!
Um lugar quentinho,
Um cantinho, uma cama,
Um ato de carinho!

A noite fria, final de outono,
A escuridão, o abandono,
O inverno, fica logo ali.
Longas noites sombrias,
Melancólicas, congeladas.
Nessa estrada cheia de lembranças.
De um passado, onde havia sempre
Um sorriso terno de uma criança.

Parece que foi há tanto tempo.
Mas não há quem se acostume,
A violência das ruas, aos passa foras da vida,
Essa coisa de não ter comida,
Não ter honra, não ter afeto.
Sem teto, sem amor, sem alegria,
Maltrato, solidão, triste companhia.

Ultimamente sozinho, cansado,
Sentindo uma dor, que parece não ter fim!
Mas enfim, até que já viveu um bocado!
Talvez quem sabe, seja melhor assim!
Dormir, sonhar estar em casa,
E na delícia do sonho ficar,
Não mais voltar, esquecer o caminho!

E entre afagos imaginários,
Num lugar no infinito encantado,
Entre carinhos e cuidados,
Se sentir amado, se sentir bem!
Naquele lugar, no paraíso,
Entre pessoas gentis, cheias de afeição,
Que saberão dar valor a amizade,
De um fiel amigo cão!



Di Vieira

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Conto de fada



O por do sol,
O lago dourado,
O jardim encantado,
A tarde amarela.

O outono dos sonhos,
Um barco ancorado,
Você do meu lado,
A vida em aquarela.

Pedra antiga,
Nome marcado,
A ponte, o sobrado,
As samambaias na janela,

Tarde perfeita!
Jardim de cerejeira,
Céu alaranjado, Grama rasteira,
Dois apaixonados às margens da ribeira !

Perfume de flores,
O vento suave se aproxima,
E beija a face da menina,
Dos romances de novela.

Eu e ela,
Um distante conto de fada,
Uma fantasia encantada,
Que agora, parece Incrível!
Eu e você Cinderela,
E o nosso sonho, que ainda é possível!



Di Vieira