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Mostrando postagens de 2015

O anel

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Curvou os joelhos em terra, Após passos indecisos. Tivera uma vida atormentada! Tinha a alma angustiada! Estava à beira do abismo! Ecos, gritos adormecidos explodiam! Soluços abafados brotavam na garganta. Queria ter tido vida santa,  Vestes sem mácula. Queria ter ficado em casa junto aos pais. Mas o passarinho criou asas, Rasgou o céu na negrura da noite, Penetrou por própria vontade, Na gaiola do mal. Vendaval, chuva forte, Corte nos pés, dor na alma, Seiva da vida indo embora! E agora? Afundado nas cinzas, encobre o rosto, Rasga as vestes, esmurra o peito, E apesar de não ter direito, Pede misericórdia, piedade, E obteve! Sem vaidade, sem arrogância. De joelhos no chão batido, Envergonhado, arrependido. Sente a mão suave, erguer-lhe a carcaça, Ajudar-lhe nos primeiros passos, Dar-lhe segurança e um novo começo! As conexões inseguras ficaram no passado! Na volta, perdão, E um futuro limpo de fato! Sem condenações, sem reprovações. O anel no dedo, É um elo desse amor imenso! Amor ofertado, Amor sagrado! É luz, que il…

Criança tem mola,

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Criança tem mola, Joga bola, pula-pula Com bambolê na cintura, Não descansa!
Criança tem mola! Criança rebola, Joga na folia do pique cola, Com papelão escorrega a ladeira, Criança com saúde não tem preguiça, Criança com saúde, quer brincadeira!
Criança tem mola! Pula carniça, passa anel, Na amarelinha, põe caquinho no céu. Cata pedrinha, figurinha no bafo, Criança tem mola, não tem preguiça, Não tem cansaço!
Bota na berlinda, pera ou maçã, Criança tem mola, Dança, sonha, pula e rola, No café da manhã, Ou na escola, Criança tem mola!
Criança rebola, saracoteia, É combustível bom,  Correndo na veia É alegria que encanta, incendeia!
Criança, joga bola, Criança, rebola, Criança, é mola. Criança?  Não anda, salta! Criança, manda! Criança? Faz falta!


Di Vieira

Pés de lata, asas de algodão.

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Todos pensavam: 
Pequena tolinha Coitada, coitadinha, Sem palavra, sem ação. Todos! Exceto eu! Eu não!
Tinha um jeitinho tão doce, Como um pedido de proteção, Parecia só dizer sim, E nem saber dizer não! Todos pensavam assim, exceto eu! Eu não!
Descobri assim de repente, Um olhar bem diferente Do que costumava ser, Uma olhada camuflada, Como quem não quer nada, Teimava em aparecer!
Seu anseio contrariava? Emperrava teimosamente, Sem dó, 
Obstinadamente! Anjinho com pés de lata, Asinhas de algodão, Todos lhe viam quase inútil, Menos eu, eu não!

Di Vieira

Horário de verão

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Chega com a chuva, O horário de verão, Chega de avião, E dá de cara com a Polêmica, A cínica arte cênica do novo mundo, Ostenta economia, contenção de despesa, Mas o que sei com certeza, E que desfalca do meu dia alguns segundos. Lixo as unhas e penso... Amanhã às quinze horas e vinte minutos, (Que na verdade serão quatorze e vinte,) Já estarei de volta! Mas hoje, quando conseguir dormir,  Sonharei com o dia seguinte! Ao acordar, vou checar meus sentidos, E os vidros dos florais. Depois, verei a luz surgir aos poucos,  em meio às cortinas do quarto. Despertarei sonolenta, Procurarei os chinelos debaixo da cama, E acharei confusa, a minha pobre cabecinha no chão! Peço a Deus que meu corpo logo acostume Com esse arbitrário horário de verão!

Di Vieira

FUNDAMENTO

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Tá construindo? Subindo, descendo, De um lado pro outro, Pra frente e pra trás, Caindo, levantando, Fazendo, desfazendo, Aumentando, inventando! Ciclando a vida, O tempo passando. Estrutura cansada, caída? Que nada! Nunca é tarde demais! Experimenta! Dez, quinze, quarenta, Cinquenta, sessenta, setenta... Construindo, renovando, Arquitetando sonhos maiores que você, Alçando voos num céu de um azul Que quase ninguém viu, Quase ninguém pôde ver. São raros os que irão sentir, São poucos os que irão perceber, Abençoados são os que podem presumir, Preciosos são, os que ainda conseguem crer!

Di Vieira 

Cuida de mim!

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Cuida de mim! Mesmo quando erradamente, Acho possível resolver tudo sozinha, Quando sinto medo do mal que possam fazer a mim, Quando os meus pecados trouxerem dúvidas ao meu coração, Cuida de mim! Cuida de mim Senhor, Quando me empolgo em discussões que não levam a nada, Quando me atrevo a ser pedra quando sou janela de vidro, Quando não consigo ofertar o outro lado do rosto, Quando o fel do desgosto transformar minha fisionomia, Quando minha alma parecer vazia, Mesmo assim Senhor, Fica comigo! Cuida de mim, Quando me esqueço por um segundo, Que Tu Senhor,  Como dono do mundo, viveu em mansidão, Quando espero dos outros gratidão. Ou quando irada, só consigo ver o templo, e a chibata em suas mãos, Perdão Senhor, mas cuida de mim! Cuida de mim, Quando sou eu o chicote, Quando tenho medo da morte, Quando a violência, e corrupção que há no mundo me paralisa, Quando eu ficar distraída e o mal me surpreender, Confio em Ti Senhor, para do mal me valer, Cuida de mim Senhor, só Tu me entendes! Vem e refrigera a minha alm…

Sãos!

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São tantos loucos! De perto, os que não são, São poucos! De longe, os que não são, Não conheço! Os que são sãos, Não o são de fato! Os sãos que são, São chatos! Os de lua, os de boa, Os que riem sozinhos, 
Os que riem de si mesmos, Os que riem à toa, Por ser intenso em atrevimento, Por ser pirado por alguns momento, Ousado em qualquer ação. Os que são sãos, 
São chatos demais! Qual forte que frágil por um segundo, 
Não enlouqueceu? Não se deu o direito de falar à toa, algo sem sentido? Quem nunca deu ouvido a lua crescente,
Com muita gente ensandeceu? Extremamente sãos, Enlouqueçam! Enlouqueçam ao menos um pouco, Loucos serão sim, Mas chatos, não!


Di Vieira

Aicítel

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Tinha mania de repetir! Amores, dores, tragédias. Dores que nunca iam embora, Choros com hora marcada. Tragédias enfileiradas, Cada qual esperando sua hora. Tinha mania de se ver pior! Mania de não se gostar! De praguejar seus pequenos defeitos. Tinha um ódio encoberto de gente que sorria demais! Não era capaz de achar graça em nada! Completamente travada! Botava a alegria porta a fora, Vegetava entre folhas tristes de velhos livros, Hipnotizada por tragédias antecipada. Mania de não gostar, sem nem conhecer! Mania de olhar, e simplesmente não ver! Tinha um lado falso, faltava carinho! Era uma flor, com a estranha mania De ser espinho.


Di Vieira

Sala verde

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O café na sala verde Entre toalhinhas de coche verde claro, O cheiro do pão caseiro, E as fotos na pequena estante, Por instantes havia ali um mundo mágico, E o sol se escondia lá fora. Risos! A velha fonte, No centro do paraíso, Discretamente foi embora. Agora, Estrelas apagadas cativas de uma amarga espera, Espera o cheiro do café da graça, Domingo de manhã, assim que o sol visite a praça. Na sala verde a mesa posta, Entre bocejos e risos soltos, Café forte, açúcar pouco, Um pouco de drama e comédia, E um novo coração invade o velho peito. Entre palavras doces que atenuam mágoas, Sorriem as fotos na estante. Sorvendo o cafezinho “da hora” É, a vida seguindo adiante, Mergulhando na certeza da não perfeição, Entendendo o valor do repartir o pão, Na sala verde, Entre o cheiro do café novo, e a saudade... A saudade do meu povo!


Di Vieira

Primavera e cores

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Antes, Folhas do outono caiam,bege, laranja, E os pretos, os brancos, os cinzas  esfumaçados do inverno, Precediam aos vermelhos, lilases, Das fugazes rosas cores, Das flores cheirosas, perfumadas! Então, as vibrantes chuvas bem vindas, Caiam lindamente, airosamente! Seja sempre bem vinda perfumosa primavera! Elegante, estilosa, Em trajes de cores vibrantes, Entretons lilases, verdes, rosas,rosa. Será essa a nova estação? Ameaço de verão que chega mais cedo? Oh musa da passarela, Arrogante, sem medo! Bela, quase perfeita! Mas sem borboleta amarela voando ao meu redor, Sem as lavadeiras e suas asas transparentes Roçando as flores na beirada do rio, Desafiando os olhos da gente. Sem as juras que o vento trazia no fio de cabelo do meu nariz, Que nesse dia, eu seria feliz por inteiro,  E hoje, quase por um triz de perder tudo o que tenho direito, Os perfumes, as flores no campo a caminho da escola As flores e cores que eu quisesse imaginar,
Sinto falta até dos pirilampos, Todos aqueles que não consegui pegar! 


Di Vie…

Coração partido

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Descobri que coração partido Pode não ser força de expressão, Pode ser verdade! Descobri que saudade não passa, Continua machucando enquanto não se vê! E que as coisas que a vida ensina, Nem sempre são boas de aprender, Mas são sempre necessárias! Descobri que apesar de serem várias as lições da vida, Nem todas um dia, serão colocadas em prática, E assim também, os vários enigmas da matemática, Ou a exata conjugação dos verbos. Hoje descobri que sou outra pessoa sem você. Nem melhor, nem pior, só outra!
Descobri que preciso muito te encontrar, Para que eu possa me encontrar de novo! Juntar o que interessa de mim,
E saber que isso faz parte de você Perco o sono por isso! Por causa disso, me perco num abandono carente de abraço, E a lâmina fria da tristeza, rasga meu peito covardemente! Aí que vontade de voltar pra casa! Que vontade de te ver lá de novo! Me olho no espelho, e vejo você! Descobri que sem você, O mundo perdeu muito do encanto,
Perdi metade do sorriso, Entretanto, apesar dos pesares, Entre os trancos…

Lágrimas nos olhos

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Eu também tinha lágrimas em meus olhos.
Ninguém deu importância!
Só Deus, só Deus se importou.
Eu também tinha lágrimas em meus olhos,
E só Deus me deu a mão, me levantou,
Me pôs de pé, e disse: Vai!
A vida continua, a estrada é longa,
Segura a mão do teu irmão, ajuda!
Deixa que Eu seguro a tua!
Eu ainda tinha lágrimas em meus olhos,
Feridas na alma.
Só Deus me deu calma para não gritar,
Não enlouquecer!
Ainda tenho lágrimas nos olhos, soluço na voz,
Sem Deus, o que seria de mim, o que seria de nós?
Tenho lágrimas nos olhos, mas Deus as enxuga com doses homeopáticas 

do amor que cura.
Um dia, limpará dos meus olhos toda a lágrima, (Apocalipse 21- 1,4)
Ainda há um soluço da saudade, uma vontade de vê-los outra vez,
Me jogar tranquila num abraço sincero,

Só pra você saber

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Todas as manhãs quando acordo, Quero ir! Todas as manhãs quero ir e não sei porque, Desisto! Desisto e insisto em você! O brilho que havia em meu olhar, Jaz afogado em mágoas de antigas ilusões! Maneiras de agir, e falar, São aparentes motivos pra brigar. Brigamos por tudo e por nada, Falamos sem nem sequer pensar! Até já disse pra você, que isso não é amor,  Que é pura loucura! A gente não se entende mais! E a cada vez que isso acontece,  Você jura que não vamos mais brigar. Mas nunca é assim! Já entendi que eu não nasci pra você, e você não foi feito pra mim! Ah se eu conseguisse falar tudo o que quero! Ah se ao menos eu conseguisse dizer tudo o que penso! Mas sinceramente nem tenho certeza se é isso o que desejo! Não tenho mais certeza de nada! Ah se ao menos eu conseguisse falar! Se ao menos eu conseguisse dizer adeus!
Di Vieira

Verifique instruções de uso!

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Toque! 
Mas antes de usar,
Verifique as instruções e utilidade do produto.
Descubra como manejar, como conservar,
Entenda um pouco do assunto!
Não aperte de qualquer jeito,
Manipule com respeito,
Não viole os limites.
Limites violados,
Cancelados os direitos.
Verifique as esquisitices, no rótulo ao lado,
O uso indiscriminado do produto
Pode ser prejudicial à saúde,
Para utilizar, é preciso ter atitude,
Sinceridade é importante,
É preciso ser elegante
E verificar se há compatibilidade.
O prazo de validade não consta na embalagem,
Só o tempo dirá!
Então, manipule com carinho, 
Conserve tudo em bom estado,
E o prazo será renovado automaticamente.
Quando houver tarja vermelha, 
Será bom ter mais cuidado.
Estar por perto, ficar bem ao lado, 
A qualquer sinal de defeito,
Resolva imediatamente
Nem tente transgredir as regras,
Ou eu te processo por quebrar,
Ferir e pisotear,
Um pobre coração dependente!





Di Vieira 

Só eu sei!

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Só eu sei o que senti, Quando percebi seu olhar no meu. Só eu sei! Muitos podem imaginar, Podem até quase saber, Mas sobre aquele olhar, Só eu sei dizer! Só eu sei o sabor daquele beijo, O tremor daquelas mãos, A timidez por não saber, O receio de não dar certo; Só eu sei! Só eu sei a dor, 
Das primeiras lágrimas de amor, Muitos podem até avaliar a dor, Mas só eu senti, só eu sei! Só eu sei os sentimentos perdidos, A angústia da espera, os breves momentos, Todas as promessas jogadas ao vento, São minhas verdades.
Se deixaram ou não saudades Só eu sei!


 Di Vieira

Encantado!

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Era encantado. Morava ali ao lado, tão perto! Ás vezes tão longe, que mal dava para ver, Vivia tão triste, sem ninguém se envolver, Chorava sem lágrima, pra ninguém perceber. Era encantado, Seduzido pela loucura, Arrebatado até a altura de um nobre ser, Estando no limite do existir, Versando na fronteira do falecer. Encantado sem viver, Vivendo sem perceber que o tempo passou. Dançando com a música, que sua débil mente guardou, Com aquela doçura singela, quase sem pecado! Ah meu amado! Quanto desperdício! Tanto talento encubado! Ah meu amado irmão! Meu doce ser encantado!
Di Vieira


Dia frio

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Hoje o sol nasceu frio. Hoje o dia frio me olhava, Com seus olhos castanhos escuro, Por cima do cachecol feito de nuvens condensadas. Hoje o céu azul adoeceu, Ficou cinza! Hoje, o céu cinza chorou na triste noite escura. As lágrimas secaram ao toque do primeiro vento que passava. Hoje, o dia frio trouxe saudades de quem me amava quase com loucura. Da mão pura que me fazia cafuné. É, eram duas as mãos que entre as luvas me aquecia. Duas, que entre as pernas me queria, Duas, que em cada toque, me fazia crer, Ser um ser especial. Hoje, o cheiro de terra molhada trouxe a melancolia das almas arrependidas, Trouxe o desabafo dos que choram por amor, E a saudade que jaz enterrada, no escuro cobertor.
Di Vieira