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Mostrando postagens de Abril, 2013

# MARESIA

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Já faz tempo! E o tempo não espera! Apesar dos pesares, apesar do tempo, Apego-me a um raio de esperança. E te espero na areia cinza clara do cais, Ali onde os barcos ancoram lado a lado,
Onde parcas flores insistem em fincar raízes, Onde mãos se abraçam felizes pelo encontro, E ondas delicadamente morrem. As espumas evaporam, definham, se desfazem, Ali, bem ali, Junto aos meus pés, 
E eu comovida, 
Como noiva prometida, 
Uma entre as dez, 
Ainda te espero!
Cai à noite e eu acredito,
Num sonho bom, livre do mal. Da janela vejo o mar bonito, E a lua feito bola de cristal, Que deixa nas águas o seu reflexo. Em meu peito dói à saudade de você! Quero te ver, sentir teu cheiro, Passear de mãos dadas, 
Pela cidade do meu interior, Sentindo a maresia.
Mergulhar na alegria,
Do pássaro cantador!
Sinto sua falta! Sinto tanta falta do seu amor!
Noite e a praia vazia, 
Eu à espera! Um dia, uma noite, uma luz, Um vulto ao longe chegando de manso, Sussurrando suavemente meu nome! Eis que volta o meu amado! Eis a recompensa de minha …

Casa velha

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Procuro a casa velha na encosta do morro, Na rua sem calçada, das casas sem embolso. Procuro um vilarejo de casas pobres De rostos nobres, em busca de saídas justas, De sonhos possíveis! Procuro e quem sabe com sorte, Encontre um pouco ao norte, Ao lado do posto, em sentido contrário Onde se sonha e nunca se chega. Onde o suor do trabalho faz a vida, Onde o sorriso farto é comida, Onde a amizade acontece. De mãos dadas na mesma prece, No olhar a compaixão, Na solidariedade a perfeita oração. Procuro o sobrevivente do velho rio, Da ponte de madeira quebrada, Que atravanca o tempo, espalha o medo. Procuro o segredo do bom dia, Na palavra, no desejo, No abraço e no beijo de velhos amigos Procuro o alto-falante do carro de tubaína, Menina brincando de bambolê pelo caminho. Procuro em vão a placa da rua, Olho com emoção a casa da foto, Os rostos que se apagaram, as vozes que se calaram O passado não volta mais! E lá está a velha casa, 
A vila velha, o morro acabado, A rua morta,
E um povo cansado,
Querendo paz!
Di Vieira

Violeta

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No dobrado, a saia coração, Nos desenhos violáceos as cores, Flores cheias de encanto! Tanto no desabrochar, Como nas multifacetas, multicolores! Relembram multidatas, multiamores, Enfeitam carinhos delicados, Promessas fascinantes, compromissos esquisitos! Na pressa, em ti o olhar descansa, Preso, ofuscado, fascinado, Enquanto floresce em seus matizes. Pé de planta, pé de menina, momentos felizes, Da bailarina em laise violeta, Das virgens amarelas, dobradas, perfumadas, Azuis, sem perfume, rosa rosada, Tendo ciúmes te deito no livro, Guardando o teu perfume, te adubo em letras, E desvanecida mas fascinante, querida violeta Viverás pra sempre, No velho livro, na minha gaveta!


Di Vieira

Borboleta azul.

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Sou eu, Borboleta azul, Entre as folhas verdes das matas, Entre grandes galhos e pequenos espinhos, Seres em bando ou sozinhos, Abraçando os raios de sol!
Sou eu, Crisálida adormecida, Nos galhos das árvores encantadas De mãos atadas, na letargia da vida, Peçonhas, perfumes, beleza em cores Diamante em lençóis de seda!
Sou eu, Esvoaçante pelos boqueirões dos rios, Pelas soleiras das portas, Por hortas, canteiros, e nascentes, Revoando gotas semicoloridas, E gotas orvalhadas, semitransparentes.
Sou eu descalça pela relva, Pisando nas pontas dos dedos, Eu e meus segredos furta-cores, Amores furtando a leveza peregrina, Migrando entre a beleza feminina e o amor, Da borboleta delicada, e a flor
Di Vieira

Não se perca

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O velho baú de couro, As lembranças! O relógio sem graça no alto da parede, O cheiro do café confundindo-se ao perfume do seu xampu, O cheiro do seu cabelo, Descubra se podes, a magia desses instantes! O conforto inesperado de estar, Sobre o domínio do silencio, Numa trama perfeita para dois! Na hora perfeita para ser feliz! Desliguei a luz da sala, Olhei a lua pela janela, Saboreei o inexplicável momento, E esperei o seu toque, seu abraço, Observei sem falar, sem dizer palavra. Só a alegria fez festa no meu olhar, A meia luz, a meia voz, eu confesso ! Tenho feito menos que gostaria, Falado mais do que devia. Mas hoje, me acolha em seus braços, Adicione-me em sua rede, A rede da sala que me embala, me ensina, Sou tua menina, teu sonho de rapaz. Não se perca de mim, Não me deixes jamais!
Di Vieira

Resumo

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Lembrei-me que sou pó  E me vesti de lágrimas. Lágrimas pela soberba de me achar eterno! Desfiz-me da arrogância e me senti capaz de amar. Amar como um cão, mesmo na coleira. Besteira ser super, ser poderoso! Gostoso é mergulhar no olhar e descobrir o infinito. Bonito é cantar sem acompanhamento, Só por estar feliz, É saborear estalando a língua, O doce presente com recheio de anis!  É sentir a cada momento o sussurrar das ondas fazendo festa, É tão doce o meu sofismo, Que descanso na praia do otimismo. Percebendo o acordar das flores cutucadas pelo orvalho. Bonito e necessário, é descobrir o carinho que há em suas mãos E então me descobrir frágil, dócil,  Poeira na constelação, De seres finitos no infinito transitório, Tão nada, tão provisório Quanto uma bolha de sabão!

Di Vieira