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terça-feira, 30 de julho de 2013

#Dandara


Mergulhei nos olhos negros de Dandara.
Dandara, feita da ilusão da gente
Gente... Ela é demais!
Achei que eram iguais os nossos sonhos,
Achei afinidades em nossos planos,
Mas só que não!
Cara de pau esse  engano,
De querer se enganar!
E tão falsa a besteira de achar,
 Que quem veio de longe,veio pra ficar!
Alguém havia dito, pra eu não me envolver demais,
Que seria bom ir com calma,nessas coisas sentimentais!
Hoje sei,que seja lá quem for,
Tinha toda razão!
Mas era tudo tão bonito, tão fofinho!
Tanta delícia, tanto carinho!
Que abaixei as armas, descansei o alerta,
E no eclipse absoluto, eu disse sim!
Ela se aventurou em mim,
Conquistou cada pedaço meu,
Fincou bandeira em cada espaço,
Que aquele corpo aqueceu.
Perturbou meu emocional, me envolveu,
Me deu o céu, 
Depois disse que não era só meu!
Fez reflexões sobre o amor universal,
Sobre o sabor total dos lances,
Sobre o desapego, a paciência,
E então, se foi!
Tudo se acabou em uma semana!
Mas entre o encanto e a carência,
Até que foi bacana a experiência, pra esse jovem imaturo,
Que agora quer ser feliz a cada dia,
Que sempre será menos um dia,
 Antes dos deliciosos dias, do futuro!


Di Vieira

domingo, 21 de julho de 2013

#Bomsamaritano



É noite!
Chove no rosto do mundo,
O resto do mundo que chora!
Chora o choro tardio, 
Dos remanescentes do ódio oculto,
Choram em lágrimas tortas, 
Um culto ao breve silencio, acalentador,
Esquecido em cada gemido de dor,
Cada recusa de ajuda
Cada lágrima em silencio.
Cada sangria derramada.
Meu amado,minha amada, 
O saber sabe nada, e quer saber mais!
Quer calar a boca do sábio,
Dispersar o conselho da paz!
Mas apesar de tudo, contudo,
Jamais diga jamais!
Jamais torture o berro preso na garganta.
Jamais almoce a janta, dos pequenos animais.
Jamais diga Jamais!
Já é noite!
O silencio ultimamente, é preciso.
Mas o aviso, é questionável agora!
A importância das coisas,é desigual!
A estima é pouca, nenhum calor, nenhum valor!
Oh dor! Oh noite!
Já são altas as horas!
E o choro agora implora o fim,
O fim das mágoas caladas no peito.
Então recolha os pedaços, restaure os danos
Enxugue o choro na noite escura, carregada,
Eu,você,e essa longa estrada, anos e anos.
Poder, riqueza, irmão,mundo cão!
Confundem-se sob o ser do Bom samaritano,
Com a velha roupagem.
 De religião!




Di Vieira

sexta-feira, 19 de julho de 2013

#Soucatavento,





Sou catavento,
Lento, desatento,
Não vi passar o tempo,
Olhando o infinito,
Ouvi gritos,vindos de longe,
E eu aqui, entorpecido, inerte,
O passado incrustado nos pés enferrujados.
Já não me mantenho por sonhos,
Já não consigo fazer planos felizes.
Onde estão as minhas sementes?
Parindo troncos, folhas e raízes?
E essas estações que mudam, o tempo todo,
Sem minha modesta intervenção,
Enchem meu olhar de aversão,
Me desapego das grandes bestagens,
Da friagem, da falta de carinho,
Que nos deixam sozinhos,
Sob camadas de prioridades e preferências,
Haja paciência com esse pobre distraído,
Que ouve, sem ser ouvido,
Tropeça em suas pás e seus galhos,
Quase sempre se atrapalha com nomes.
E essa absurda situação,
Consome, e branqueia os pelos.
E essa hélice girando em sentido inverso,
Enlouquece cada dia, um pouco mais,
Quem olha com jeito lento,
As mudanças loucas do vento,
Na terra dos pinheirais.



Di Vieira



segunda-feira, 15 de julho de 2013

# Lembra da moça?





Lembra da moça?
Que entrou em cena,
Que falou de paz, coberta de flores,
Que caiu de amores pela fama,
Que fez na varanda a cama?

Lembra da moça?
Que beijou o sapo,
Que feriu o dedo no tear da casa,
Que saiu da festa pisando em brasas,
Que viu o relógio do pirata vesgo?

Lembra do pirata?
Do navio grande, assombrado,
Do mar revolto, turbulento,
Dos céus sem nuvens, das velas ao vento,
Da lente cara, do vulto poeirento?

Lembra da pequena burguesa,
Do navio velho, da mesa nas nuvens,
Das finas flores de prata.
Da cena de amor, tão barata,
Da loba do mar,tão pirada?

Lembra da moça em cena?
Cortando os pulsos, de nostalgia!
Tirando da prisão, um par de alegria,
Jogando fora as flores mortas,
As cortinas rubras, e o preto caixão?

Lembra da moça então?
Ela que caiu de amores pelo pirata vesgo,
Do navio assombrado, das velas ao vento
Que beijou o sapo no final da sessão
E vendeu essa história, como nova versão?
Lembra, lembra da moça então?



Di Vieira

quinta-feira, 11 de julho de 2013

#Beth



Pérola negra, olhos brilhando,
O saber pululando,
E sabotando a alegria,
A simpatia de todas as horas.
Jaz dentro da concha,
Já quase esquecida!
Tão incompreendida!
Tão compreensiva!
Tão brilhante!
Pérola pequena, num mar de gigantes!
É por temor que se esconde?
Onde posso te encontrar, joia minha?
Diga-me; Onde?




#Taças perfeitas




Laços puros,
Anjos carinhosos, amados,
Trajes azuis, delicados,
Céu transparente!
Estrelas são assim, como gente,
Espalhadas por todo lado!

Laços desfeitos, desconsertados,
Doces confeitos,
No sorvete descongelado.
Taças perfeitas,
Mesas estreitas,
Corações separados.


Di Vieira



quarta-feira, 10 de julho de 2013

#Cabelosbrancos



 Gosto mais de mim,
Gosto mais de mim agora
Gosto mais de mim por dentro, que por fora,
Que me perdoem os que idolatram a mocidade,
Mas o viver bem, vem com a maturidade,
Mesmo que o corpo, 
Não aguente mais as noites sem dormir,
E as mãos, pareçam encolher a cada dia,
Mesmo que a beleza deixe a desejar, na fotografia,
E a pele vá ficando como roupa sem passar,
Quem te ama, vai sempre te amar!
Que te conhece, passa a te admirar,
Porque é bom, andar ao lado de quem te importa,
Mesmo que o ritmo seja mais devagar,
Mesmo que a memória às vezes os deixe na mão,
É muito bom lembrar do que se quer, e o que não!
Gosto de mim, dos cabelos brancos, das minhas saudades,
Das amizades conquistadas, das lutas travadas e vencidas,
Gosto da vida!
O tempo, já não importa tanto!
Já não tenho tanta pressa, tanto querer afobado,
Tenho o que preciso, o que gosto, conheço o caminho,
Posso ir devagarzinho, prestando atenção,
Naquelas pessoas que estão na estrada,
Nas marcas bem feitas, que deixaram no chão,
Posso contar todos os passos,
E bem no fim, encontrar teu abraço,
No meio da multidão!




Di Vieira

segunda-feira, 8 de julho de 2013

#Fotosempretoebranco


Apenas uma dúvida,
Uma suspeita oprimindo a mente.
E o silêncio investigando os olhos,
Depois de tanta coisa vivida.
Um cansaço sobre-humano,
Uma febre de carinho.
Que não existem mais em nós, 
Dois corações sozinhos.

Resta a porta aberta, a estrada,
Uma vida inteira, um recibo de quitação.
E dois passarinhos, que voarão sem fazer festa,
Celebrarão separados a desarmonia fatal,
Fecharão a conta, irão à feira,
Sairão, sem dizer até logo,
Sem olhos pras boas maneiras,
Não deixarão bilhete, na porta da geladeira.

Sempre conversamos assuntos complexo,
Mas nunca como esse agora,
Nunca como dessa vez!
Nunca com esse olhar tenso,
Nunca com essa entoação na voz!
Ai de nós amantes incompreendidos,
Senhores de amores descompensados,
Arrastando pela vida, 
Inúteis álbuns de fotos em preto e branco.

Di Vieira


quarta-feira, 3 de julho de 2013

#Amo!



Amo,
Como um pássaro que alimenta,
Ensina a voar e ainda no ninho,
Permite ao seu amor se quiser, voar sozinho!
Amo,
Como flores à beira da estrada,
Que não pedem nada,
A não ser enfeitar o seu caminho.
Amo,
Como nuvens que encobrem,
O sol causticante do seu deserto,
Ainda que não haja nada,nenhum amigo por perto!
Amo você,
Que pensa que sabe amar, mas não procura entender,
Que só ama o espelho, porque reflete você!
Amo,
O silêncio escondido nas palavras,
As frases, que no tempo certo,foram ditas,
Amo,
Os nossos momentos juntos
Nossos escassos e frágeis assuntos,
Amo a lembrança,
Das suas risadas bonitas!
Te amo,
Sem um incentivo, uma escolha,ou adesão,
Amo por ser submissa, aos desmandos complicados
Desse meu patético coração!



Di Vieira