Total de visualizações de página

domingo, 18 de outubro de 2015

Horário de verão




Chega com a chuva,
O horário de verão,
Chega de avião,
E dá de cara com a Polêmica,
A cínica arte cênica do novo mundo,
Ostenta economia, contenção de despesa,
Mas o que sei com certeza,
E que desfalca do meu dia alguns segundos.
Lixo as unhas e penso...
Amanhã às quinze horas e vinte minutos,
(Que na verdade serão quatorze e vinte,)
Já estarei de volta!
Mas hoje, quando conseguir dormir, 
Sonharei com o dia seguinte!
Ao acordar, vou checar meus sentidos,
E os vidros dos florais.
Depois, verei a luz surgir aos poucos, 
em meio às cortinas do quarto.
Despertarei sonolenta,
Procurarei os chinelos debaixo da cama,
E acharei confusa, a minha pobre cabecinha no chão!
Peço a Deus que meu corpo logo acostume
Com esse arbitrário horário de verão!


Di Vieira


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FUNDAMENTO



Tá construindo?
Subindo, descendo,
De um lado pro outro,
Pra frente e pra trás,
Caindo, levantando,
Fazendo, desfazendo,
Aumentando, inventando!
Ciclando a vida,
O tempo passando.
Estrutura cansada, caída?
Que nada!
Nunca é tarde demais!
Experimenta!
Dez, quinze, quarenta,
Cinquenta, sessenta, setenta...
Construindo, renovando,
Arquitetando sonhos maiores que você,
Alçando voos num céu de um azul
Que quase ninguém viu,
Quase ninguém pôde ver.
São raros os que irão sentir,
São poucos os que irão perceber,
Abençoados são os que podem presumir,
Preciosos são, os que ainda conseguem crer!


Di Vieira 

Cuida de mim!



 Cuida de mim!
Mesmo quando erradamente,
Acho possível resolver tudo sozinha,
Quando sinto medo do mal que possam fazer a mim,
Quando os meus pecados trouxerem dúvidas ao meu coração,
Cuida de mim!
Cuida de mim Senhor,
Quando me empolgo em discussões que não levam a nada,
Quando me atrevo a ser pedra quando sou janela de vidro,
Quando não consigo ofertar o outro lado do rosto,
Quando o fel do desgosto transformar minha fisionomia,
Quando minha alma parecer vazia,
Mesmo assim Senhor,
Fica comigo!
Cuida de mim,
Quando me esqueço por um segundo,
Que Tu Senhor,
 Como dono do mundo, viveu em mansidão,
Quando espero dos outros gratidão.
Ou quando irada, só consigo ver o templo, e a chibata em suas mãos,
Perdão Senhor, mas cuida de mim!
Cuida de mim,
Quando sou eu o chicote,
Quando tenho medo da morte,
Quando a violência, e corrupção que há no mundo me paralisa,
Quando eu ficar distraída e o mal me surpreender,
Confio em Ti Senhor, para do mal me valer,
Cuida de mim Senhor, só Tu me entendes!
Vem e refrigera a minha alma, a cada aborrecimento,
Me faça lembrar que está perto o momento do mal ter fim,
Não me deixe esquecer o quanto me amas,
Que ainda sou a sua menina,
Que é grande esse amor, 
Que a todo momento me ensina,
Que só sua graça me acalma,
Cuida Senhor Deus de mim,
Cuida Senhor Deus, 
Da minha alma!


Di Vieira

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sãos!




São tantos loucos!
De perto, os que não são,
São poucos!
De longe, os que não são,
Não conheço!
Os que são sãos,
Não o são de fato!
Os sãos que são,
São chatos!
Os de lua, os de boa,
Os que riem sozinhos, 
Os que riem de si mesmos,
Os que riem à toa,
Por ser intenso em atrevimento,
Por ser pirado por alguns momento,
Ousado em qualquer ação.
Os que são sãos, 
São chatos demais!
Qual forte que frágil por um segundo, 
Não enlouqueceu?
Não se deu o direito de falar à toa, algo sem sentido?
Quem nunca deu ouvido a lua crescente,
Com muita gente ensandeceu?
Extremamente sãos,
Enlouqueçam!
Enlouqueçam ao menos um pouco,
Loucos serão sim,
Mas chatos, não!



Di Vieira

Aicítel



Tinha mania de repetir!
Amores, dores, tragédias.
Dores que nunca iam embora,
Choros com hora marcada.
Tragédias enfileiradas,
Cada qual esperando sua hora.
Tinha mania de se ver pior!
Mania de não se gostar!
De praguejar seus pequenos defeitos.
Tinha um ódio encoberto de gente que sorria demais!
Não era capaz de achar graça em nada!
Completamente travada!
Botava a alegria porta a fora,
Vegetava entre folhas tristes de velhos livros,
Hipnotizada por tragédias antecipada.
Mania de não gostar, sem nem conhecer!
Mania de olhar, e simplesmente não ver!
Tinha um lado falso, faltava carinho!
Era uma flor, com a estranha mania
De ser espinho.



Di Vieira

Sala verde




O café na sala verde
Entre toalhinhas de coche verde claro,
O cheiro do pão caseiro,
E as fotos na pequena estante,
Por instantes havia ali um mundo mágico,
E o sol se escondia lá fora.
Risos!
A velha fonte,
No centro do paraíso,
Discretamente foi embora.
Agora,
Estrelas apagadas cativas de uma amarga espera,
Espera o cheiro do café da graça,
Domingo de manhã, assim que o sol visite a praça.
Na sala verde a mesa posta,
Entre bocejos e risos soltos,
Café forte, açúcar pouco,
Um pouco de drama e comédia,
E um novo coração invade o velho peito.
Entre palavras doces que atenuam mágoas,
Sorriem as fotos na estante.
Sorvendo o cafezinho “da hora”
É, a vida seguindo adiante,
Mergulhando na certeza da não perfeição,
Entendendo o valor do repartir o pão,
Na sala verde,
Entre o cheiro do café novo, e a saudade...
A saudade do meu povo!



Di Vieira