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CAÇA OU CAÇADOR?

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Esqueceu se era caça ou caçador. Caminhou lentamente como que contando os passos, Em direção à porta entreaberta. Sentiu um suave perfume de rosas no ar. E o coração disparou loucamente, Como se fosse naquele peito jovem, Que se deslumbrava por cada belo sorriso! Tanto tempo não se sentia assim, fascinado, Apaixonado feito um tolo! E essa explosão de sentimentos que já nem se lembrava mais, O fez voltar num tempo nem tão distante assim! O silencio gritava em seu pensamento: É o teu fim! Tentou fazê-lo emudecer não conseguiu, Calou-se então e atenção não mais lhe deu! Junto à parede o retrato pintado à mão, parecia ter vida! Extasiado murmurou baixinho, quase num sussurro: É ela! O sorriso sereno, o rosto luminoso, Uma doce malícia nos olhos castanhos, Que olhava como se dissesse: Quem conquista, é o conquistado  Ou o conquistador? Di Vieira

A MESMA MESMICE!

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Que trabalho que dá ser a mesma, A mesma sem voz, sem valia Sempre na mesma rotina do dia a dia Cada vez mais a mesma, E na mesma mesmice de sempre Pedindo chuvas ao céu, Mudando os móveis de lugar, Ensaboando, enxaguando, esperando o sol secar. Estava cansada disso! Já nem sabia ser ela mesma! Seria isso um sinal de maluquice? Ou seria  a mesmice que lhe atordoava? Tinha que voltar ao ponto,  ao começo. Ser a mesma, na mesma mesmice Inalterada Sem voz sem valia, do tanque para a pia, Da cama ao fogão, numa ciranda lunática. Mas que trabalho que dá! Que trabalho que dá ser a mesma! Di Vieira

LÁGRIMAS EM SILÊNCIO.

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Passou como vento que derruba muralhas, Levou minha calma e o meu dia escureceu prematuramente Negras eram as nuvens que vieram me assombrar Quando ainda nem chovia. A sala vazia, o grito na garganta, a lágrima no rosto, O coração acelerado como quem tem pressa, Não me deixes! Sou teu! Sou todo teu! Aturdido, descompassado como a música intuitiva que tento escrever, Penso ser o fim o que pode ser começo, Penso sim! Será que te quero a qualquer preço? Debaixo do chuveiro lágrimas em silêncio dizem não, E o coração se acalma, o soluço quase emudece, Tudo segue em frente, é tudo como deve ser! Algo no fundo me diz, que um dia vou te esquecer ! Me apego como náufrago a essa possibilidade. Que venha a saudade, que me machuquem as lembranças O que sei é que a esperança no futuro, vai sarar a dor presente, E te digo que não importa se tudo acontecer bem devagar! Na verdade baby, não importa! Di Vieira

LIBERDADE

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Conquistar a liberdade é voar num céu de ilusões Onde pássaros  cegos que traçaram seus destinos  Habitam sem espaço no buraco negro Onde tudo se perde, onde nada se produz Onde eventualmente um pequeno raio de luz Num ou noutro ponto sugere que ainda há vida. Entre as nuvens cinzas tempestuosas, Por um momento um sentimento toma forma Um  enorme e angustiante medo desse voo livre, Um enorme e angustiante medo desse jeito livre de viver. Então a máscara cai e paralisa a respiração artificial. Envolto em um disfarce o soluço sai do peito. E com um pensamento transformador do mundo decreta com vontade, Liberdade! Liberdade!Liberdade! Enquanto isso essa conquista monopoliza o seu dia, Invade sua noite rouba seu pretenso sucesso Camufla seus amigos e finge, Mas finge tão naturalmente! É, as conquistas e a liberdade te consomem! Voam como personagens pelos céus da tua ilusão! Esvanecem-se as imagens imaginadas e produzidas pela v...

MARCAS E SINAIS

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Esse meu jeito todo particular de ser O meu ser todo particulado, aprovado por mim, Diferente sim, mas sou eu desse jeito. Quero respeito não solidariedade, Quero matar a saudade das coisas boas que fiz. Sou réu não juiz, sou humano transluzente, Sou gente!  Sou eu, sem você um pouco só. Sou laço que enfeita a caixa, o presente. Às vezes sou nó da união mais ausente, Sou o chão, sou o céu, Sou gente, sou humano, sou réu!  Di Vieira

FICA COMIGO!

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Fique aqui comigo, não me solte Tenho medo que um ou outro pensamento Te leve pra longe e que não mais volte pra mim, E se for assim, terei longas noites sem sono Sentirei a dor penosa do abandono, enfim... Fique aqui comigo! Deixe que eu te abrace forte mas não fale! Não diga coisas desnecessárias, sem precisão Não magoe meu coração já pálido pelo assombro! Peço a Deus que eu não te perca, que tu não me deixes! Pensar em te perder me dá arrepio! Então deixe que eu te  abrace como aves no ninho, Hoje sinto tanto frio, preciso do seu carinho! Fique aqui! A noite está escura, a lua ainda não surgiu, Todo percurso a sós é infinitamente extenso. Sabe o que eu penso? Que podes ficar pra sempre! Sempre que houver eternidade! Mas já sinto saudade do agora, de nós! Desse breve momento que te contei meu segredo, Até desse medo quase sem fundamento, Que se agita como borboletas no meu umbigo. Fique aqui comigo! Fique comigo e não me s...

BEIJA-FLOR

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Doces amores jovens da estação primeira Doces amores de emoções suaves e verdadeiras Das pequenas doidices furtivas, Emoções dos olhares meio sem jeito, Do coração destemperado acelerando no peito. Doces amores que se vão com o tempo Com o vento das paixões da meninice E a gente faz histórias com a saudade, Que permite devagar o sossego no coração, Reinventando os dias de felicidade Pra fazer da história uma canção. Di Vieira