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O anel

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Curvou os joelhos em terra, Após passos indecisos. Tivera uma vida atormentada! Tinha a alma angustiada! Estava à beira do abismo! Ecos, gritos adormecidos explodiam! Soluços abafados brotavam na garganta. Queria ter tido vida santa,  Vestes sem mácula. Queria ter ficado em casa junto aos pais. Mas o passarinho criou asas, Rasgou o céu na negrura da noite, Penetrou por própria vontade, Na gaiola do mal. Vendaval, chuva forte, Corte nos pés, dor na alma, Seiva da vida indo embora! E agora? Afundado nas cinzas, encobre o rosto, Rasga as vestes, esmurra o peito, E apesar de não ter direito, Pede misericórdia, piedade, E obteve! Sem vaidade, sem arrogância. De joelhos no chão batido, Envergonhado, arrependido. Sente a mão suave, erguer-lhe a carcaça, Ajudar-lhe nos primeiros passos, Dar-lhe segurança e um novo começo! As conexões inseguras ficaram no passado! Na volta, perdão, E um futuro limpo de fato! Sem condenaçõ...

Criança tem mola,

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Criança tem mola, Joga bola, pula-pula Com bambolê na cintura, Não descansa! Criança tem mola! Criança rebola, Joga na folia do pique cola, Com papelão escorrega a ladeira, Criança com saúde não tem preguiça, Criança com saúde, quer brincadeira! Criança tem mola! Pula carniça, passa anel, Na amarelinha, põe caquinho no céu. Cata pedrinha, figurinha no bafo, Criança tem mola, não tem preguiça, Não tem cansaço! Bota na berlinda, pera ou maçã, Criança tem mola, Dança, sonha, pula e rola, No café da manhã, Ou na escola, Criança tem mola! Criança rebola, saracoteia, É combustível bom,  Correndo na veia É alegria que encanta, incendeia! Criança, joga bola, Criança, rebola, Criança, é mola. Criança?  Não anda, salta! Criança, manda! Criança? Faz falta! Di Vieira

Pés de lata, asas de algodão.

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Todos pensavam:  Pequena tolinha Coitada, coitadinha, Sem palavra, sem ação. Todos! Exceto eu! Eu não! Tinha um jeitinho tão doce, Como um pedido de proteção, Parecia só dizer sim, E nem saber dizer não! Todos pensavam assim, exceto eu! Eu não! Descobri assim de repente, Um olhar bem diferente Do que costumava ser, Uma olhada camuflada, Como quem não quer nada, Teimava em aparecer! Seu anseio contrariava? Emperrava teimosamente, Sem dó,  Obstinadamente! Anjinho com pés de lata, Asinhas de algodão, Todos lhe viam quase inútil, Menos eu, eu não! Di Vieira

Horário de verão

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Chega com a chuva, O horário de verão, Chega de avião, E dá de cara com a Polêmica, A cínica arte cênica do novo mundo, Ostenta economia, contenção de despesa, Mas o que sei com certeza, E que desfalca do meu dia alguns segundos. Lixo as unhas e penso... Amanhã às quinze horas e vinte minutos, (Que na verdade serão quatorze e vinte,) Já estarei de volta! Mas hoje, quando conseguir dormir,  Sonharei com o dia seguinte! Ao acordar, vou checar meus sentidos, E os vidros dos florais. Depois, verei a luz surgir aos poucos,  e m meio às cortinas do quarto. Despertarei sonolenta, Procurarei os chinelos debaixo da cama, E acharei confusa, a minha pobre cabecinha no chão! Peço a Deus que meu corpo logo acostume Com esse arbitrário horário de verão! Di Vieira

FUNDAMENTO

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Tá construindo? Subindo, descendo, De um lado pro outro, Pra frente e pra trás, Caindo, levantando, Fazendo, desfazendo, Aumentando, inventando! Ciclando a vida, O tempo passando. Estrutura cansada, caída? Que nada! Nunca é tarde demais! Experimenta! Dez, quinze, quarenta, Cinquenta, sessenta, setenta... Construindo, renovando, Arquitetando sonhos maiores que você, Alçando voos num céu de um azul Que quase ninguém viu, Quase ninguém pôde ver. São raros os que irão sentir, São poucos os que irão perceber, Abençoados são os que podem presumir, Preciosos são, os que ainda conseguem crer! Di Vieira 

Cuida de mim!

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  Cuida de mim! Mesmo quando erradamente, Acho possível resolver tudo sozinha, Quando sinto medo do mal que possam fazer a mim, Quando os meus pecados trouxerem dúvidas ao meu coração, Cuida de mim! Cuida de mim Senhor, Quando me empolgo em discussões que não levam a nada, Quando me atrevo a ser pedra quando sou janela de vidro, Quando não consigo ofertar o outro lado do rosto, Quando o fel do desgosto transformar minha fisionomia, Quando minha alma parecer vazia, Mesmo assim Senhor, Fica comigo! Cuida de mim, Quando me esqueço por um segundo, Que Tu Senhor,  Como dono do mundo, viveu em mansidão, Quando espero dos outros gratidão. Ou quando irada, só consigo ver o templo, e a chibata em suas mãos, Perdão Senhor, mas cuida de mim! Cuida de mim, Quando sou eu o chicote, Quando tenho medo da morte, Quando a violência, e corrupção que há no mundo me paralisa, Quando eu ficar distraída e o mal me surpreen...

Sãos!

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São tantos loucos! De perto, os que não são, São poucos! De longe, os que não são, Não conheço! Os que são sãos, Não o são de fato! Os sãos que são, São chatos! Os de lua, os de boa, Os que riem sozinhos,  Os que riem de si mesmos, Os que riem à toa, Por ser intenso em atrevimento, Por ser pirado por alguns momento, Ousado em qualquer ação. Os que são sãos,  São chatos demais! Qual forte que frágil por um segundo,  Não enlouqueceu? Não se deu o direito de falar à toa, algo sem sentido? Quem nunca deu ouvido a lua crescente, Com muita gente ensandeceu? Extremamente sãos, Enlouqueçam! Enlouqueçam ao menos um pouco, Loucos serão sim, Mas chatos, não! Di Vieira