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Conto de fada

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O por do sol, O lago dourado, O jardim encantado, A tarde amarela. O outono dos sonhos, Um barco ancorado, Você do meu lado, A vida em aquarela. Pedra antiga, Nome marcado, A ponte, o sobrado, As samambaias na janela, Tarde perfeita! Jardim de cerejeira, Céu alaranjado, Grama rasteira, Dois apaixonados às margens da ribeira ! Perfume de flores, O vento suave se aproxima, E beija a face da menina, Dos romances de novela. Eu e ela, Um distante conto de fada, Uma fantasia encantada, Que agora, parece Incrível! Eu e você Cinderela, E o nosso sonho, que ainda é possível! Di Vieira

Black out

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 Confiei segredos a pássaros q ue passavam à noite,  Solidários, atentos, Pássaros canoros, miúdos, bicudos, Entre sons, sussurros, e olhares mudos. Sem palavras, só sentimentos! O açoite, o vento na cara, A cidade não para, mas simula adormecer. É tarde pra insistir na escuridão. Nesse black out artificial da razão. Sem mãos estendidas, Sem braços que abracem, E o amor ao próximo, tão próximo! Tão falso, tão vendido, Mas tão acessível, tão caridoso! Já não há inocência! Sabotaram a paz, a filantropia. As cidades vazias, as casas escuras, Espelho das ruas que ninguém se importa! Marginais infantis, estilingues modernos, Aspirantes ao inferno que com as próprias mãos abrem as portas, Desordem fundada nos limites dos quintais. Contidas em discussões contemplativas. Afundadas entre debates literários, Guardam cadáveres no armário do quarto Cidade em dores de parto, sem segurança, Casas em segredo, sem fé, sem es...

Lago azul

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No topo do lago azul, A lua grávida de nós, Do nosso amor! E eu inquieto, Fascinado com a sua real beleza, Na incerteza do aceito, Palpita meu peito, Em ondulações convulsivas, A paisagem nos favorece, E a gente se esquece que o tempo não para. Nós dois, o tempo, as formas, os vultos, Cobiçando o horizonte infinito, Onde o grito da liberdade se aquieta. Partículas do medo sem culpa, Perdem-se entre os vãos das montanhas. E aos olhos dos eternos vaga-lumes, Voamos nas asas literais da madrugada. Nós, semelhantes, apaixonados, renascendo, Na pausa musical do silencio e seus belos efeitos, Em plena alvorada, de mãos dadas, Almas e corações satisfeitos! Di Vieira

# MARESIA

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Já faz tempo! E o tempo não espera! Apesar dos pesares, apesar do tempo, Apego-me a um raio de esperança. E te espero na areia cinza clara do cais, Ali onde os barcos ancoram lado a lado, Onde parcas flores insistem em fincar raízes, Onde mãos se abraçam felizes pelo encontro, E ondas delicadamente morrem. As espumas evaporam, definham, se desfazem, Ali, bem ali,  Junto aos meus pés,  E eu comovida,  Como noiva prometida,  Uma entre as dez,  Ainda te espero! Cai à noite e eu acredito, Num sonho bom, livre do mal. Da janela vejo o mar bonito, E a lua feito bola de cristal, Que deixa nas águas o seu reflexo. Em meu peito dói à saudade de você! Quero te ver, sentir teu cheiro, Passear de mãos dadas,  Pela cidade do meu interior, Sentindo a maresia. Mergulhar na alegria, Do pássaro cantador! Sinto sua falta! Sinto tanta falta do seu amor! Noite e a praia vazia,  Eu à espera! Um dia, uma n...

Casa velha

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Procuro a casa velha na encosta do morro, Na rua sem calçada, das casas sem embolso. Procuro um vilarejo de casas pobres De rostos nobres, em busca de saídas justas, De sonhos possíveis! Procuro e quem sabe com sorte, Encontre um pouco ao norte, Ao lado do posto, em sentido contrário Onde se sonha e nunca se chega. Onde o suor do trabalho faz a vida, Onde o sorriso farto é comida, Onde a amizade acontece. De mãos dadas na mesma prece, No olhar a compaixão, Na solidariedade a perfeita oração. Procuro o sobrevivente do velho rio, Da ponte de madeira quebrada, Que atravanca o tempo, espalha o medo. Procuro o segredo do bom dia, Na palavra, no desejo, No abraço e no beijo de velhos amigos Procuro o alto-falante do carro de tubaína, Menina brincando de bambolê pelo caminho. Procuro em vão a placa da rua, Olho com emoção a casa da foto, Os rostos que se apagaram, as vozes que se calaram O passado não volta mais! E lá está a velha ...

Violeta

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  No dobrado, a saia coração, Nos desenhos violáceos as cores, Flores cheias de encanto! Tanto no desabrochar, Como nas multifacetas, multicolores! Relembram multidatas, multiamores, Enfeitam carinhos delicados, Promessas fascinantes, compromissos esquisitos! Na pressa, em ti o olhar descansa, Preso, ofuscado, fascinado, Enquanto floresce em seus matizes. Pé de planta, pé de menina, momentos felizes, Da bailarina em laise violeta, Das virgens amarelas, dobradas, perfumadas, Azuis, sem perfume, rosa rosada, Tendo ciúmes te deito no livro, Guardando o teu perfume, te adubo em letras, E desvanecida mas fascinante, querida violeta Viverás pra sempre, No velho livro, na minha gaveta! Di Vieira

Borboleta azul.

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Sou eu, Borboleta azul, Entre as folhas verdes das matas, Entre grandes galhos e pequenos espinhos, Seres em bando ou sozinhos, Abraçando os raios de sol! Sou eu, Crisálida adormecida, Nos galhos das árvores encantadas De mãos atadas, na letargia da vida, Peçonhas, perfumes, beleza em cores Diamante em lençóis de seda! Sou eu, Esvoaçante pelos boqueirões dos rios, Pelas soleiras das portas, Por hortas, canteiros, e nascentes, Revoando gotas semicoloridas, E gotas orvalhadas, semitransparentes. Sou eu descalça pela relva, Pisando nas pontas dos dedos, Eu e meus segredos furta-cores, Amores furtando a leveza peregrina, Migrando entre a beleza feminina e o amor, Da borboleta delicada, e a flor Di Vieira