As paredes





As paredes falam de mim!
Ah como falam!
Sabem tanto sobre mim,
Tanto!
 Muito mais que eu.
Sabem quando me reviro na cama sem achar o sono,
Quando me perco num abandono de gente esquisita,
Quando me olho no espelho e me sinto bonita
Concordando ou não, elas falam!
Falam sobretudo quando eu choro.
Não compreendem um lamento tão bobo,
Um desperdício de fluído ocular,
Um acúmulo de emoções inúteis.
Falam! 
Mas mão que é bom,
Não me estendem!
Frias, sem alma, inertes,
Paredes nuas, de concreto e pintura
Se espantam com minha loucura
De acordar o despertador.
Mas me cercam, me parece, 
Com carinho e afeto.
Segurando
o velho teto.
Que me serve de cobertor.

Comentários

  1. Nossa menina.
    Menina poetisa.
    Que poema mais lindo!
    O teu sorriso gente linda!
    Teceu uma saudade.
    E saudade é especial.
    Um grande abraço!

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